De Volta à Era Efesiana

28/07/2019

De Volta à Era Efesiana

28 de julho de 2019

Santiago-RS

Diógenes Dornelles

Gênesis 1:26

E disse Deus: Façamos o homem à Nossa imagem, conforme a Nossa semelhança; e domine sobre os peixes do mar, e sobre as aves dos céus, e sobre o gado, e sobre toda a terra, e sobre todo o réptil que se move sobre a terra.

Nosso objetivo com esse estudo, é discorrer acerca de como o irmão Branham ensinava essa Escritura de Gênesis, e comparar este seu ensino em particular com os pais efesianos, visto que o irmão Branham disse que essa Mensagem do tempo do fim converteria os corações dos filhos de Deus à mesma mensagem dos pais apostólicos, tornando a última era da igreja em uma outra era efesiana.

A Pré-Existência do Filho de Deus

Atitude e Quem é Deus? (15/08/1950) §§ 15-18

E lá naquele grande espaço onde ninguém pode medir em sua mente além disso, naquele espaço, eternidade. Esse é Jeová Deus ali. E somos ensinados no princípio que o Logos, ou o Filho de Deus saiu de Deus...

O que o irmão Branham está afirmando aqui é de que o Filho teve uma pré-existência. Todos os ministros unicistas condenam esse tipo de declaração, porque ao afirmar isso, significaria que o Filho seria uma Pessoa ou um Ser diferente de Deus e que esteve com Ele antes da criação, e para os unitários, Deus não poderia ter um Filho que não fosse Ele mesmo. Quando o irmão Branham afirma que o Filho esteve com Deus no princípio, desde antes da criação, alguns ministros unicistas dizem que o irmão Branham estaria com isso demonstrando que nessa época estava crendo na doutrina da Trindade, uma vez que os trinitários creem na preexistência do Filho de Deus. Porém a prova de que eles estão equivocados, se demonstra com a declaração que o irmão Branham faz a seguir:

O Falso Dogma da Filiação Eterna

...Agora, eu não creio em "filiação eterna". (Refere-se à doutrina da geração eterna do Filho, dogma trinitário que ensina que Jesus seria um Filho eterno, sem princípio) É até mesmo radical só de mencionar tal coisa, "filiação eterna". Como que... Ele teve uma filiação eterna... de que maneira ...?... se é mesmo filiação eterna, como que Ele poderia ser um Filho? Ele teve que ter um princípio. Vê?...

Isso deve ter deixado a audiência bastante confusa, especialmente o irmão Gordon Lindsay, que era um teólogo, e que juntamente com o irmão F. F. Bosworth, administrava aquela Campanha Branham em Cleveland, Ohio. Deveria estar tudo bem para o irmão Lindsay ouvir o irmão Branham dizer inicialmente que Jesus era o Logos que saiu de Deus no princípio, porque era isso que a teologia trinitária ensinava, porém os trinitários também ensinam que aquele Filho era eterno e sem princípio, o qual o irmão Branham discordava inteiramente.

Para o irmão Gordon Lindsay, aquilo representava um grande erro teológico de William Branham. É por essa e várias outras razões, que o irmão Lindsay posteriormente pediu para que em outras ministrações, o irmão Branham deixasse as questões doutrinárias de lado e se detivesse apenas no evangelismo para cura divina, porque para ele, o irmão Branham não entendia nada de teologia. Ern Baxter, outro trinitário que também foi administrador de suas campanhas, igualmente disse que o irmão Branham possuía limitações. Em uma entrevista, Baxter disse certa vez: "Ele (William Branham) era teologicamente tão bem quanto academicamente iletrado. Quando ele falava, sua gramática de inglês era ruim, e sua teologia era ainda pior". Foi por isso que em 1958 o irmão Branham escolhe o irmão Lee Vayle para ser o seu administrador, pois era alguém que não apenas lhe compreendia, mas conhecia também o seu ensino.

Porém o que a maioria dos trinitários não sabem é que nem sempre a doutrina da filiação eterna fez parte de sua teologia, visto que o próprio pai da Trindade, Tertuliano, condenou tal ensino sobre a geração eterna do Filho de Deus. Quem primeiramente desenvolveu essa heresia foi Clemente de Alexandria no século III, seguido depois pelo seu discípulo, Orígenes. Mais tarde, Ário, que também viveu em Alexandria, tentou combater a heresia da filiação eterna em sua própria terra, porém com uma outra heresia, que foi a da criação do Filho, apresentando Jesus como a primeira das criaturas de Deus. Paradoxalmente, a igreja católica no século IV, ignorando todas as repreensões que Tertuliano, Novaciano e outros haviam feito acerca do ensino da filiação eterna, acabou agregando-o ao dogma da santíssima Trindade, ao ponto em que hoje todos os trinitários defendem a filiação eterna de Jesus.

Mas se aqui o irmão Branham mostra ser contrário a esse ensinamento, isso prova que ele não estava crendo ou pregando uma trindade de pessoas eternas da Divindade.

O Filho Era Como Uma Criança Brincando Frente ao Pai

...Então Ele primeiro foi Deus, Jeová, e Dele... Vamos somente retratar agora como um pequeno drama para que você possa entender isto. Vamos ver surgindo do espaço onde nada existe, (Não havia nenhuma criação, seja terrena ou celestial) vamos fazer disso uma pequena Luz branca, como uma Luz mística, como um Halo. E esse era o Logos que saiu de Deus no princípio. Esse era o Filho de Deus que saiu do seio do Pai. Esse era o que estava no princípio que era a Palavra, e a Palavra estava com Deus e a Palavra era Deus. (Por quê? Porque o Filho era a imagem visível de Deus, e ali estava na forma de Deus) E a Palavra se fez carne e habitou entre nós. No princípio era Deus. E então de Deus veio o Logos, uma parte de Deus que saiu de Deus. (É por isso que o Logos, o Filho, também é Deus, sem ser exatamente o próprio Deus, mas uma "amostra" de tudo o que Deus é. A expressão que o irmão Branham usava "parte de Deus", era uma linguagem própria sua para explicar que o Filho foi formado da mesma substância de Deus, como dito em Hebreus 1:3) ...Agora, veja, este é apenas como uma criança brincando em frente à porta. Era o Filho de Deus, o Logos...

Essa expressão de "criança brincando" é para denotar que realmente o Filho era um Ser que foi gerado distintamente de Deus, e por mais estranha que essa declaração do irmão Branham possa parecer, ela está em perfeita harmonia com o tipo de linguagem que o livro de Provérbios usou para representar o Logos que estava com Deus no princípio, o Qual Salomão chamou de Sabedoria.

Provérbios 8:27-30

Quando Ele (Deus) preparava os céus, aí estava Eu, (O Logos, o Filho de Deus ) quando traçava o horizonte sobre a face do abismo; quando firmava as nuvens acima, quando fortificava as fontes do abismo, quando fixava ao mar o seu termo, para que as águas não traspassassem o seu mando, quando compunha os fundamentos da terra. ("Eu estava com Deus quando Ele criou o mundo. Eu estava criando junto com Ele") Então Eu estava com Ele, e era o Seu arquiteto; (O Filho foi usado por Deus como agente da Sua criação) era cada dia as Suas delícias, alegrando-Me perante Ele em todo o tempo.

Essa palavra "alegrando-me" foi traduzida da palavra hebraica "sachaq", que significa "divertir-se", mais precisamente "brincar", como aparece até mesmo em outras versões da Bíblia. Portanto aqui o Filho está dizendo: "Eu estava sempre diante de Meu Pai como uma criança que brinca e se diverte".

...Agora, veja, este é apenas como uma criança brincando em frente à porta. Era o Filho de Deus, o Logos. E eu posso vê-Lo ali fora, e Ele falou e disse: "Haja luz". (Deus através do Seu Filho disse: "Haja luz". Isso significa que aquela luz de Gênesis 1:3 não poderia ser a geração do Logos como alguns afirmam. Pelo menos esse não foi um ensino do irmão Branham) E nada existia. E ali algo estava acontecendo, e um átomo virou ali e começou a girar em volta dessa maneira. O sol começa a vir à existência, porque Ele disse: "Haja". Ali está a autoridade. De onde Ele criou isto? Eu não sei. Nada havia disso para criar. Porém Ele creu em Sua própria Palavra, e houve luz. (...) E então eu posso vê-Lo, Ele olhou para esse... Posso vê-Lo falar para este mundo suspenso ali como um pingente de gelo, seja o que fosse, lá adiante. E Ele o moveu para cá. Posso ver esta pequena Luz sair. Agora nós temos dois. O Pai, e do Pai veio a Luz, o Filho...

"Agora nós temos dois" o quê? Dois deuses? Não. Mas são dois Seres. Um é Deus e o outro é o Seu Filho.

Lee Vayle Apenas Citou William Branham

Agora lembre-se que o irmão Lee Vayle sempre foi acusado de pregar dois deuses só porque repetia essas mesmas palavras do irmão Branham.

O Deus Conhecido 2 (05/05/2001) § 128 - Lee Vayle

Isso é exatamente a mesma velha coisa, como eu digo, como o irmão Branham disse: "A luz apareceu. Isso foi o Filho de Deus". Agora eles dizem: "Aí está você. O irmão Vayle pregando dois deuses". Eu digo: "Hei! ESTOU CITANDO O IRMÃO BRANHAM!". Totalmente surdos. O irmão Branham disse isto: "Agora existem dois deles". "Oh, ele está pregando dois deuses". "Calma! ESTOU CITANDO O IRMÃO BRANHAM".

Deidade 14 (06/08/2000) §§ 62-63 - Lee Vayle

Porque, a qual dos anjos disse jamais: Tu és Meu Filho, hoje Te gerei? E outra vez: Eu Lhe serei por Pai, e Ele Me será por Filho? Agora existem dois Deles, certo? Oh, que coisa! O grupo do Só-Jesus, especialmente no Canadá, eles seguem completamente confusos, e eles estão simplesmente tão ruins aqui embaixo. "Oh, a pregação de dois deuses de Lee Vayle!". ESTOU CITANDO O IRMÃO BRANHAM; ESTOU CITANDO A BÍBLIA. Quão profundamente pode a sua mente ser possuída pelo diabo?

Deidade 6 (06/02/2000) § 47 - Lee Vayle

ESTOU APENAS CITANDO O IRMÃO BRANHAM; então não se preocupe. É claro, eu serei dito pelo povo: "Lee Vayle não cita o irmão Branham". Toda vez que eu digo: "Agora existem dois deles". Eles disseram: "Veja, pregando dois deuses". Bem, como você lida com pessoas assim? Você não lida. Você não lida. Se um garotinho não conhece o seu alfabeto, ele não conhecerá álgebra, como disse o irmão Branham.

Então se eles dizem que o irmão Lee Vayle pregou dois deuses, é na verdade ao irmão Branham que eles estão fazendo essa acusação. Porém o irmão Branham não estava pregando nenhuma outra doutrina que não fosse bíblica.

O Homem Foi Feito à Imagem de Deus e do Seu Filho

...E eu posso ver essa Luz se movendo para cá e que arrastou a terra para perto do sol para secá-la. E começa a...?... levantar a água, separando a terra, a terra da água, e assim por diante. Então Ele começa a criar. E Ele criou os peixes do mar, a vida vegetal. Coloca os gados no monte. Tudo isso parecia bom para Ele. Então Ele disse: "Façamos o homem à Nossa imagem, segundo a Nossa semelhança". Isso é correto? Tudo bem. Então Ele criou um homem.

Pois bem. Aqui está a grande questão que incomoda os unicistas, tanto os de fora como os de dentro da Mensagem. Para Quem foi que Deus disse "Façamos"? O irmão Branham deixa isso muito bem claro em alguns sermões os quais iremos analisar aqui.

Perguntas e Respostas Sobre Gênesis (29/07/1953) §§ 15, 43

Bem agora, se você notar atentamente agora, em Gênesis 1:26, primeiro vamos tomar a primeira parte. Deus disse: "Vamos". Agora, "vamos", nós é uma... (Primeira pessoa do plural) "Façamos o homem à Nossa própria imagem". Nossa, claro, nós entendemos que Ele está conversando com Alguém; Ele estava falando a um outro Ser. "Façamos o homem à Nossa própria imagem segundo a Nossa semelhança"... E então Ele fez esta pergunta agora: "Vamos (Quem? PAI E FILHO) Façamos o homem à Nossa própria imagem".

O irmão Branham disse que Deus estava falando com "Alguém". A Palavra "alguém" é um substantivo masculino que quer dizer "um indivíduo", "um sujeito", "uma pessoa". E ele é ainda mais preciso quando diz que é com um outro Ser. Portanto não era com anjos que Deus estava falando, do contrário o irmão Branham teria dito "outros seres".

Então o que o irmão Branham ensinava é que haviam duas Pessoas conversando em Gênesis 1:26, razão pela qual ele havia dito após Deus ter gerado o Seu Filho: "Agora temos dois". Isso era uma referência a Deus e ao Seu Filho unigênito, que eram dois Seres ou Pessoas distintas uma da outra. Não se tratava de duas divindades ou de duas pessoas de uma mesma divindade.

A Personificação do Cristianismo (20/01/1957) § 147

A primeira Pessoa, que é apresentada, é Deus. Deus! "No princípio era Deus", em Gênesis. E depois a próxima que é apresentada é o Espírito Santo, ou o Logos, que saiu de Deus. No entanto, foi tudo de Deus que saiu, em uma Pessoa.

Aqui o irmão Branham está nos dizendo que a Pessoa de Deus foi Quem sempre existiu e esteve presente desde o princípio, e que depois o Seu Espírito Se manifestou em uma outra Pessoa que foi o Seu Filho, o Logos que saiu Dele. Esta próxima Pessoa, que é o Logos que saiu de Deus, é o Filho, no Qual o Espírito de Deus também Se manifestou. Portanto o irmão Branham não estava com isso pregando duas pessoas na Divindade, como fazem os trinitários, mas ele estava apenas dizendo que Deus era uma Pessoa distinta do Filho que também era uma Pessoa.

Os Pais Pré-Nicenos

Agora, antes de seguirmos adiante com nossa análise sobre Gênesis 1:26, vamos rever uma declaração que vimos aqui o irmão Branham fazer anteriormente acerca do Logos. Ele disse o seguinte:

"Somos ensinados no princípio que o Logos, ou o Filho de Deus saiu de Deus".

Quem seriam estes que haviam ensinado que o Logos que saiu de Deus era o Seu Filho? A quem o irmão Branham está se referindo exatamente? Será que ele está aqui aludindo aos mestres e professores de algum seminário teológico? Na verdade, ele está se referindo aos pais da igreja que ensinaram e escreveram acerca do Logos, mais precisamente os pais pré-nicenos. Com certeza, o irmão Branham conhecia alguma coisa do que eles ensinaram, porém mais tarde ele nos dirá que estava estudando a esses pais com mais afinco e interesse.

Partirá a Igreja Antes da Tribulação? (09/03/1958) § 17

Agora, se vocês são historiadores, e eu estive estudando a história esta semana, e nas últimas duas ou três semanas, os pais ante-nicenos, da antiga história da igreja pouco antes do Concílio de Nicéia.

A conclusão que o irmão Branham chegou através de seus estudos é de que os pais pré-nicenos, por ainda não terem se organizado, conseguiram manter um entendimento correto das Escrituras e do ensino apostólico, ao ponto em que o irmão Branham afirmou que os profetas do Antigo Testamento, os apóstolos de Jesus e os pais pré-nicenos fossem testemunhas fiéis da verdadeira Palavra de Deus.

Senhores, Queríamos Ver a Jesus (24/12/1961) §§ 34-35

O mesmo Deus que tratou com os antigos profetas, tratou com os apóstolos e tratou com os irmãos pré-nicenos. (Os pais da igreja anteriores ao concílio de Nicéia) E aqui está Ele hoje, tratando da mesma maneira com o Seu povo, com os mesmos sinais, as mesmas maravilhas, o mesmo Evangelho, o mesmo poder, o mesmo Deus, tudo. Com três como uma testemunha, para nós, de que esta é a verdade. Isto é verdade. Deus deu em três testamentos. Vê? Essa é a história...

Veja que o irmão Branham disse que nestes últimos dias Deus estava nos trazendo o mesmo Evangelho que Ele entregou aos apóstolos e aos pais pré-nicenos, que na verdade trata-se da mesma doutrina original apostólica da era de Éfeso. E isso porque nos foi prometido nos últimos dias dar à igreja remanescente o mesmo espírito pentecostal dos cristãos primitivos com a restauração da Palavra original. Portanto o que fez a Noiva do tempo do fim voltar agora à doutrina e o ensino apostólico, foi devido à mensagem que veio a ser pregada para Ela nessa última era, ter sido a mesma mensagem pregada na primeira era, o que significa que em Laodicéia, a Noiva voltaria a ser efesiana.

Um Paradoxo (17/01/1965) §§ 90, 93, 143

E nos foi prometido outro, outro Efésios. Está previsto aqui na Escritura, portanto eu creio que estamos vivendo em Éfeso novamente. (...) Mas agora, nos últimos dias, nos é dado o entendimento, pela Palavra, de que vamos entender isso, porque virá uma era efesiana para isso. E aqui estamos! (...) E quanto mais Ele prometeu, quanto mais está deixando na Bíblia, até esta mesma era em que estamos vivendo, os Efésios novamente, das eras da igreja. Temos sete eras da igreja, e nos foi prometido que na Era da Igreja de Laodicéia haveria outra efesiana. Isso mesmo. E aqui estamos. Eu creio, com todo meu coração, que Jesus Cristo fez a promessa.

Pois bem, e o irmão Branham disse no livro das Eras da Igreja que a era de Éfeso terminou por volta do ano 170 d.C., o que significa que o ensino efesiano dos pais pré-nicenos durou até esse período. E cremos que essa divisão feita pelo irmão Branham foi divinamente inspirada, uma vez que ao fazermos uma investigação em todos os escritos deixados pelos pais efesianos desse período, absolutamente nenhum deles pregou uma doutrina trinitária de três pessoas da Divindade, tampouco uma doutrina unicista que fizesse de Jesus o próprio Deus, e muito menos ainda uma doutrina dualista que convertesse Jesus em uma criatura ou um deus menor. Todas essas doutrinas foram ensinos posteriores à era de Éfeso.

Então quando o irmão Branham disse que nos foi ensinado que o Logos era o Filho que saiu de Deus no princípio, é porque os pais pré-nicenos de Éfeso ensinaram exatamente dessa maneira. Portanto o que iremos fazer aqui, é examinar alguma coisa do que esses pais ensinaram, a fim de certificarmos se a doutrina que o irmão Branham nos trouxe foi realmente a mesma que os pais de Éfeso pregaram no início.

O Filho Era o Logos Que Saiu de Deus

Inácio de Antióquia, falecido entre os anos 98 e 100 d.C. ensinava que o Filho de Deus era o Logos ou o Verbo que saiu de Deus no princípio, por meio do Qual Deus Se tornou manifesto e conhecido.

Inácio de Antióquia - Carta de Inácio aos Magnésios - Capítulo 8 - [100 d.C.]

Existe um só Deus, que Se manifestou por meio de Jesus Cristo Seu Filho, que é o Seu Verbo saído do silêncio, e que em todas as coisas se tornou agradável Àquele que O tinha enviado.

Jesus era o Verbo ou Logos "saído do silêncio" porque nada havia antes Dele. Jesus foi a primeira Palavra que Deus expressou ou falou, quebrando o silêncio da eternidade. Portanto "saído do silêncio" quer dizer que nada havia sido expresso ou criado antes do Filho. Ele é preexistente a toda criação.

O irmão Branham também ensinava que "Logos" ou "Palavra" quer dizer "pensamento expresso", e é exatamente isso que os pais efesianos ensinavam, de que Jesus era o pensamento que foi expresso por Deus antes da criação.

Inácio de Antióquia - Carta de Inácio aos Efésios - Capítulo 3 - [100 d.C.]

De fato, Jesus Cristo, nossa vida inseparável, é o pensamento do Pai.

Inácio disse que Jesus é o pensamento falado ou expresso de Deus, exatamente como irmão Branham ensinava. Também vemos nos escritos de Justino, entre 155 a 160 d.C., a menção de que Jesus é o Verbo ou o Logos nascido de Deus.

Justino de Roma - Apologia Capítulo 23 - [160 d.C.]

Demonstraremos também que Jesus Cristo é propriamente o Filho Unigênito de Deus, como Seu Verbo, Seu Primogênito e Sua Potência. Feito homem pelo Seu desígnio, Ele nos ensinou essas verdades para a transformação e condução do gênero humano.

Justino de Roma - Diálogo Com Trifão - Capítulo 105 - [155 d.C.]

De fato, como já indiquei, tal como aprendemos pelas Memórias, Ele é o unigênito do Pai do universo, particularmente nascido Deste como Verbo e Potência, e depois nascido da virgem como homem.

Justino menciona aqui dois nascimentos do Filho, sendo o primeiro como o Logos que foi gerado antes da criação, e depois como Homem pelo nascimento virginal. Em nenhum momento os pais de Éfeso falaram acerca de uma filiação eterna, mas de um Filho que teve um princípio.

Quem Era a "Sabedoria" de Provérbios Segundo os Pais de Éfeso

Justino também disse que a sabedoria mencionada no livro de Provérbios era uma referência ao Filho de Deus tendo uma preexistência antes da criação de todas as coisas.

Justino de Roma - Diálogo Com Trifão - Capítulo 129 - [155 d.C.]

Na Sabedoria também se diz: "Já que vos anunciei o que acontece cada dia, lembro-me de contar-vos o que existe desde a eternidade. O Senhor Me formou como princípio de Seus caminhos para as Suas obras: antes do tempo, colocou Meus alicerces no princípio, antes de fazer a terra, antes de fazer os abismos, antes de fazer brotar as fontes das águas, antes de lançar os fundamentos dos montes, gerou-Me antes das colinas". Terminada a citação, continuei: - Ouvintes, entendei, se é que prestastes atenção. Que essa descendência é gerada pelo Pai antes de todas as criaturas, a Palavra o dá a entender claramente. Todos concordarão que aquele que é gerado é numericamente distinto daquele que o gera.

Aqui Justino fez uma distinção entre Deus e o Seu Filho. Ele não ensinou que o Filho era o mesmo Ser que O havia gerado e muito menos uma criatura como as demais. Justino está dizendo isso quando nenhuma teologia humana havia ainda sido formulada sobre a Divindade, tais como a unicidade, dualidade ou trindade. Então Justino não está pregando nenhuma delas. Tudo o que ele escreveu foi o que ele aprendeu com os discípulos dos apóstolos, pois após terem recebido o Espírito Santo, as Escrituras se abriram para todos eles.

Porém ministros unicistas da Mensagem têm combatido essa interpretação de Provérbios 8, alegando que essa teria sido uma interpretação inventada por Ário no século III, quando estamos vendo que os pais de Éfeso já possuíam esse entendimento muito antes, e nenhum deles estavam ensinando arianismo ou dualismo no seu tempo. O que Ário viria a fazer posteriormente, era usar essa Escritura de Provérbios para tentar provar que o Filho foi a primeira das criaturas de Deus, enquanto que todos os pais de Éfeso ensinaram que o Filho havia sido gerado por Deus, e não criado.

Como vimos, Salomão apresentou o Filho de Deus em Provérbios como o Arquiteto de Deus, significando que Deus criou todas as coisas com o auxílio de Seu Filho, usando-O como agente de Sua criação, e foi exatamente assim que os pais de Éfeso ensinaram.

O Pastor de Hermas - Capítulo 89 [150 d.C.]

O Filho de Deus nasceu antes de toda a criação, embora Ele tenha sido o conselheiro de Seu Pai para a criação.

Jesus aqui foi chamado de "conselheiro da criação" porque Deus criou todas as coisas por meio de Seu Filho.

Como os Pais de Éfeso Ensinaram Acerca de Gênesis 1:26

Há muitos outros paralelos que nós ainda poderíamos fazer aqui entre o que o irmão Branham disse e o que foi ensinado pelos pais pré-nicenos, o qual nós faremos em uma outra oportunidade. Porém desejamos nos deter agora sobre como esses pais ensinaram acerca de Gênesis 1:26, e para isso, necessitamos regressar à explicação do irmão Branham, onde ele disse tratar-se de um diálogo entre Deus e o Seu Filho, e averiguarmos se isso está de acordo com o que foi ensinado na era da igreja de Éfeso.

De acordo com a patrística, observamos que aquilo que o irmão Branham disse está em conformidade com o ensino dos pais efesianos. Vejamos uma carta que foi escrita por Barnabé, lembrando apenas que esse não se trata do mesmo Barnabé mencionado no livro de Atos, mas de um apologista que viveu no segundo século.

Carta de Barnabé - [135 d.C.]

Ainda o seguinte, meus irmãos: Se o Senhor suportou sofrer por nós, embora fosse o Senhor do mundo inteiro, a Quem Deus disse desde a criação do mundo: "Façamos o homem à Nossa imagem e semelhança", (Lembre-se que Barnabé está dizendo aqui o que ele aprendeu com os discípulos dos apóstolos. Deus conversou com o Seu Filho) como pode Ele suportar sofrer pela mão dos homens? Depois de nos ter renovado com o perdão dos pecados, Ele fez de nós um novo ser, de modo que tenhamos alma de criança, como se Ele nos tivesse plasmado novamente. De fato, a Escritura fala a nosso respeito, quando Ele diz ao Filho: "Façamos o homem à Nossa imagem e semelhança. Que eles dominem sobre os animais da terra, as aves do céu e os peixes do mar." E, vendo que nós éramos boa criação, o Senhor disse: "Crescei, multiplicai-vos e enchei a terra." Foi isso que Ele disse ao Filho.

Observe que antes de qualquer doutrina trinitária, unitária ou ariana, vemos que era assim que os pais de Éfeso ensinavam sobre Gênesis 1:26.

Também verificamos que foi exatamente isso que Irineu ensinou no século II, lembrando que Irineu foi discípulo de Justino e também de Policarpo, o qual foi um discípulo de João.

Irineu Contra as Heresias - Livro 5, Capítulo 15, § 4 - [180 d.C.]

Mas Ele, (Está falando aqui de Jesus Cristo, o Filho de Deus) o mesmo que formou Adão no princípio, com Quem também o Pai falou, [dizendo]: "Façamos o homem à Nossa imagem e semelhança" revelando-Se nestes últimos tempos aos homens, formou órgãos visuais (visionem) para aquele que tinha sido cego naquele corpo que tinha derivado de Adão.

Aqui Irineu disse que Jesus formou Adão após o Pai ter conversado com Ele a respeito. Embora Irineu seja o mensageiro da era de Esmirna, nasceu ainda dentro da era efesiana. Portanto, trata-se também de um pai pré-niceno de Éfeso. Neste mesmo livro, encontramos várias outras declarações de Irineu confirmando o mesmo ensino apostólico sobre Gênesis 1:26.

Irineu Contra as Heresias - Livro IV. Prefácio 4

O homem é composto de alma e de corpo, uma carne formada à imagem de Deus e modelada pelas Suas mãos, isto é, pelo Filho e o Espírito, aos quais disse: "Façamos o homem".

Irineu Contra as Heresias - Livro V. Capítulo 28

Eis por que durante todo este tempo, o homem, modelado no princípio pelas mãos de Deus, isto é, o Filho e o Espírito, vai crescendo à imagem e semelhança de Deus.

Irineu disse aqui que o homem foi criado pelas mãos de Deus e do Seu Filho, feito à imagem Deles, e como foi demonstrado anteriormente, essa foi exatamente a mesma explicação que o irmão Branham havia dado para aquela passagem bíblica. Portanto a interpretação que os ministros unicistas da Mensagem dão para essa Escritura, de que Deus havia conversado com anjos, não faz parte do ensino do irmão Branham e nem muito menos dos pais apostólicos da era de Éfeso.

Irineu Contra as Heresias - Livro IV. Capítulo 7

Por isso os judeus se afastaram de Deus não querendo acolher o Seu Verbo, julgando poder conhecer a Deus diretamente pelo Pai sem o Verbo, isto é, sem o Filho, ignorando Aquele que em forma humana falara com Abraão e com Moisés, dizendo: "Vi a aflição do Meu povo no Egito e desci para libertá-los". Eis o que preparou desde o início o Filho que é também o Verbo de Deus. O Pai não precisou de anjo nenhum para criar o mundo e formar o homem para o qual fez o mundo, como não precisou de ajuda para a organização das criaturas e da economia dos assuntos humanos, pois já tinha um serviço perfeito e incomparável, assistido que era, para todas as coisas, pela Sua progênie e a Sua figura, isto é, o Filho e o Espírito, o Verbo e a Sabedoria aos quais servem e estão submetidos todos os anjos.


Esta era uma das heresias pelas quais Irineu estava se opondo, pois alguns judeus gnósticos estavam ensinando que como Deus havia falado com anjos quando disse "Façamos", estava dando também aos mesmos poder criador. E uma vez que os ministros da Mensagem estão ensinando a mesma coisa em seus tabernáculos, logo estão pregando gnosticismo também, porque não há como alterar o sentido das palavras, visto que "fazer" quer igualmente dizer "criar", "produzir", "fabricar".

Irineu Contra as Heresias - Livro IV. Capítulo 20

Não foram os anjos que nos plasmaram - os anjos não poderiam fazer uma imagem de Deus - nem outro qualquer que não fosse o Deus verdadeiro, nem uma Potência que estivesse afastada do Pai de todas as coisas. Nem Deus precisava deles para fazer o que em Si mesmo já tinha decretado fazer, como se Ele não tivesse Suas próprias mãos! Desde sempre, de fato, Ele tem junto de Si o Verbo e a Sabedoria, o Filho e o Espírito. É por meio Deles e Neles que fez todas as coisas, soberanamente e com toda liberdade, e é a Eles que Se dirige, quando diz: "Façamos o homem à Nossa imagem e semelhança".

Ou seja, o Espírito Santo que estava no Filho era o Seu próprio Pai que Lhe disse: "Façamos o homem à Nossa imagem e semelhança". Não foi para anjos que Deus falou "Façamos". Porém é assim que os pastores da Mensagem estão ensinando. Então como que estes ministros podem alegar estar pregando uma doutrina efesiana restaurada para a Noiva, ao ensinar dogmas que os pais de Éfeso nunca ensinaram?

Ainda em uma outra carta sua, Irineu manteve esse mesmo ensino dos primeiros pais da igreja.

Irineu - Demonstração da Pregação Apostólica

[Isaías] O chama de "maravilhoso conselheiro", também ao Pai, indicando assim que o Pai criou com Ele todas as coisas, como se diz no primeiro livro de Moisés, intitulado "Gênesis": "Deus disse: 'Façamos o homem à Nossa imagem, conforme a Nossa semelhança". Aqui visivelmente fala o Pai ao Filho, como Seu maravilhoso conselheiro.

Vejamos agora um outro pai efesiano que escreveu acerca de Gênesis 1:26. Trata-se novamente do patriarca Justino, mestre de Irineu, na sua carta "Diálogo a Trifão". Essa foi uma resposta que Justino deu aos judeus quando esteve em Éfeso, sendo que Trifão era um dos seus mais importantes rabinos, e por essa carta, conseguimos entender de que maneira os judeus interpretavam Gênesis 1:26.

Justino de Roma - Diálogo Com Trifão - Capítulo 62 - [155 d.C.]

Amigos, foi do mesmo modo que a Palavra de Deus se expressou pela boca de Moisés ao indicar-nos que o Deus que Se manifestou a nós falou a mesma coisa na criação do homem, dizendo estas palavras: "Façamos o homem à Nossa imagem e semelhança. Que ele domine sobre os peixes do mar, sobre as aves do céu, sobre as feras, sobre toda a terra e sobre todos os répteis que rastejam sobre a terra. E Deus fez o homem; à imagem de Deus o fez; macho e fêmea os fez. E Deus os abençoou, dizendo: Crescei e multiplicai-vos, enchei a terra e dominai sobre ela". Para que não deturpeis as palavras citadas e digais o que dizem os vossos mestres, que Deus se dirigiu a Si mesmo ao dizer "façamos", (Observe que alguns judeus se dividiam nas suas interpretações, pois enquanto alguns pensavam que Deus estava Se dirigindo aos anjos, outros criam que Deus estava falando Consigo mesmo, o que na verdade viria também a ser posteriormente a interpretação preferida dos unicistas, alegando tratar-se de uma figura de linguagem conhecida como "plural majestático", mas já vimos que não era nada disso que os primeiros pais da igreja ensinavam) como nós, ao fazer algo, dizemos "façamos", ou que falou com os elementos, isto é, com a terra e outras coisas de que sabemos que o homem é composto, e a eles disse "façamos", citar-vos-ei agora outras palavras do mesmo Moisés. Através delas, sem nenhuma discussão possível, temos de reconhecer que Deus conversou com Alguém que era numericamente distinto e igualmente racional. (Ou seja, Deus estava falando com um Ser racional e Pessoal totalmente distinto Dele) Ei-las: "Eis que Adão se tornou como um de Nós para conhecer o bem e o mal". (Justino está citando aqui Gênesis 3:22) Portanto, ao dizer "como um de Nós", indica o número dos que entre Si conversam e que, no mínimo, SÃO DOIS. (Observe que Justino está dizendo a mesma coisa que o irmão Branham ensinaria mais tarde, ao afirmar: "Agora temos dois; Deus e depois o Logos que é o Seu Filho". O irmão Branham não estava se referindo à duas pessoas da Divindade e tampouco Justino estava remetendo a essa ideia, pois tal doutrina ainda não era crida naquele tempo entre os cristãos) Não posso aceitar como verdadeiro o que dogmatiza aquela que entre vós se chama heresia, nem os seus mestres são capazes de provar que Deus fala com anjos ou que o corpo humano é obra de anjos (Alguns dentre os judeus estavam dizendo que Deus conversou com anjos e que portanto, nossos corpos seriam semelhantes aos deles) Mas esse gerado, emitido realmente pelo Pai, estava com Ele antes de todas as criaturas e com Ele o Pai conversa, como nos manifestou a palavra por meio de Salomão, ao dizer-nos que, antes de todas as criaturas, foi gerado por Deus como princípio e progênie esse mesmo que é chamado sabedoria por Salomão."

Temos também um outro registro de um pai pré-niceno, que ainda na era de Éfeso defendia a mesma interpretação dos primeiros pais acerca de Gênesis 1:26.

Teófilo de Antióquia - Segundo Livro a Autólico - Capítulo 15 - [Falecido em 186 d.C.]

Quanto à criação do homem, não há palavra humana que possa expressar a sua grandeza, ainda que a narração da Escritura divina seja tão breve. Com efeito, o fato de que Deus diga: "Façamos o homem à Nossa imagem e semelhança" dá, antes de tudo, a entender a dignidade do homem. De fato, tendo Deus feito o universo por Sua Palavra, considerou tudo como coisa acessória e julgou como obra eterna digna de Sua criação somente a criação do homem. Além disso, Deus Se apresenta como Se precisasse de ajuda, pois diz: "Façamos o homem à Nossa imagem e semelhança", mas não se diz a ninguém essa palavra "Façamos", a não ser ao Seu próprio Verbo e à Sua Sabedoria.

Para Teófilo, embora Deus fosse o único Criador, Ele contou com o auxílio de Seu Filho para a criação de todas as coisas, usando-O como Seu agente e arquiteto auxiliador. Portanto para ninguém mais Deus poderia ter Se dirigido naquele momento, senão ao Seu Filho que Ele gerou.

Ecoando os Pais de Éfeso

Sendo assim, esse era o ensino apostólico da igreja primitiva acerca de Gênesis 1:26, e como vimos, tudo o que o irmão Branham fez foi ecoar esse mesmo ensino dos pais pré-nicenos, pregando para nós exatamente a mesma coisa que os pais efesianos ensinaram, e isso porque Deus prometeu que Laodicéia voltaria a ser efesiana novamente. Portanto, para que os unicistas da Mensagem digam que todos esses pais estivessem errados acerca das Escrituras, eles teriam que também dizer que o irmão Branham errou, inclusive quando ele próprio chamou a esses pais pré-nicenos de testemunhas da Palavra de Deus.

O irmão Branham disse que o homem foi feito à imagem de Deus e do Seu Filho, razão pela qual ele explicou que a expressão "Façamos", tinha a ver com o fato de que pelo menos duas Pessoas estavam envolvidas naquela criação.

A Crueldade do Pecado (03/04/1953) § 51

Então Ele disse: "Vamos" (plural) (Quer dizer que havia mais de uma Pessoa ali naquela ação) "fazer o homem" (plural) "à Nossa própria imagem". "Façamos o homem à Nossa própria imagem". Então quando Deus fez o Seu primeiro homem, Ele era um homem espírito. Ele estava de certa forma no estado de Deus, ou do Filho de Deus, o Logos.

Veja que para o irmão Branham, quando Deus disse "Façamos", isso nada teria a ver com a Sua pluralidade de atributos latentes ou por causa de uma suposta linguagem majestática, mas pelo simples fato de que o homem foi formado no mesmo estado de Deus e de Seu Filho, visto que ambos fizeram o homem à imagem Deles, e não dos anjos. O homem estava sendo ali criado tendo como modelo um estado espiritual semelhante ao de Deus e de Seu Filho, que são dois Seres sobrenaturais.

Mostra-nos o Pai e Isso Nos Bastará (11/06/1953) §§ 185-186 [Sem tradução]

E quando Ele fez tudo o que parecia agradável e bom para Ele, agora Ele disse: "Vamos (plural) fazer o homem (plural) à Nossa própria imagem". O que Ele era? Aí está um Ser sobrenatural. (Este que o irmão Branham se refere é Deus) Aí está Aquele que não podia ser visto. Deus o Pai nunca foi visto, nunca será visto. Ele é todo o universo. E ali está Ele. E agora, aqui está o Filho, que é o Logos que saiu Dele, feito à Sua imagem, um Ser sobrenatural que saiu no princípio. (Aqui o irmão Branham está explicando que o Logos era um Ser sobrenatural feito à imagem de Deus, que é um outro Ser sobrenatural. É por isso que João disse: "No princípio era o Logos, e o Logos estava com Deus e o Logos era Deus", pois este Logos refletia a imagem do Deus invisível. Portanto o Logos era Deus visível.) "Façamos o homem à Nossa própria imagem"; e se Ele fez um homem à Sua imagem, Ele criou um ser sobrenatural. Sim, de fato. Gênesis 1:28 leia e veja se isso não está certo. E então, quando Ele fez o homem à Sua imagem, ele dominava as feras.

Aqui o irmão Branham disse que Deus e o Seu Filho são dois Seres sobrenaturais, e como ambos criaram um homem à Sua imagem e semelhança, esse homem passou a ser também um ser sobrenatural, criado à imagem de Deus e do Seu Filho. O homem não foi feito à imagem sobrenatural de anjos.

Preparação (11/11/1953) § 23 [Sem tradução]

Assentado lá atrás na eternidade, Aquele era Deus. E então saindo de Deus, ou Deus Se desvelando, vem o Logos, que era o Filho de Deus ou a Palavra de Deus. "No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. E o Verbo Se fez carne e habitou entre nós", o Logos. Agora observe, estamos vendo Deus Se desvelar. Depois Ele disse em Gênesis: "Façamos o homem à Nossa própria imagem". Que tipo de homem ele era? Ele tinha que ser um homem espírito. E então Ele o colocou em cinco sentidos para contatar o seu lar terreno.

Aqui o irmão Branham disse que Deus Se desvelou no Seu Filho que Ele gerou, e que foi para esse mesmo Filho em que Deus estava desvelado que Ele disse: "Façamos o homem à Nossa própria imagem". Deus não estava desvelado em Seus anjos, mas no Logos que saiu Dele.

Será Que o Irmão Branham Mudou o Seu Ensino?

Agora, por que motivo os ministros e demais crentes da Mensagem negam este ensino do irmão Branham que, como vimos até aqui, estava em consonância com a doutrina apostólica? Porque existem três sermões onde o irmão Branham teria supostamente dito que foi aos anjos que Deus teria falado "Façamos o homem", e isso é usado até hoje pelos ministros unicistas para alegar que houve uma alteração no ensino de William Branham. Porém nós iremos agora analisar essas três situações e ver se isso é mesmo verdade.

Os unicistas da Mensagem usam uma declaração do irmão Branham tirada do sermão "Um Super Sinal" para tentar provar que ele mudou o seu ensino e de que Deus na verdade estaria conversando com os anjos em Gênesis 1:26.

Um Super Sinal (27/12/1959) §§ 76-77

Observe Deus em Suas maneiras de operar. Quando Ele criou os céus e a terra, Ele chamou os Anjos juntamente, e Ele disse: "Vamos". Cada lugar na Escritura onde Ele fez qualquer coisa, na maioria das vezes: "Não Eu, mas Meu Pai".

Foi exatamente dessa maneira que o irmão Branham se expressou. No entanto, essa mensagem foi traduzida pela Gravações "A Voz de Deus" para o português, e em sua tradução, ao invés de "vamos" - que foi exatamente o que o irmão Branham disse, ("let us"),de acordo com o texto e áudio original em inglês - eles traduziram isso por "façamos", mas para isso, o irmão Branham precisaria ter dito "let us make", como consta na bíblia King James. Porém o irmão Branham disse apenas "let us".

Watch God in His ways of work. When He created the heavens and earth, He called the Angels together, and He said, "LET US".

Mas como a Voz de Deus traduziu por "façamos", tanto no português como também na sua tradução para o espanhol ("hagamos"), então todos agora usam isso para tentar convencer que o profeta mudou o seu ensino e que Deus estaria falando não com o Seu Filho durante a criação do homem, mas com os anjos somente.

Essa tradução equivocada tem sido usada pelos ministros unicistas como uma prova de que o irmão Branham teria mudado a sua interpretação das Escrituras. Porém nada disso faz sentido algum, visto que em seguida ele disse que sempre quando Deus fazia qualquer coisa, o Filho dizia: "Não sou Eu que faço isso, mas Meu Pai". Isso porque Deus sempre usou o Seu Filho para criar, e não anjos, embora fosse Deus mesmo o verdadeiro e único Criador. Se realmente o irmão Branham estivesse dizendo no início da frase de que eram os anjos que estavam criando juntamente com Deus, o que ele deveria ter dito a seguir seria: "Não somos nós, mas nosso Pai Quem criou". Mas na verdade, os próprios anjos são criação de Deus e do Seu Filho.

Entretanto, mesmo que o profeta estivesse mencionando Gênesis, isso não quer dizer que Deus estaria criando as coisas ou mesmo o primeiro homem por meio de outras criaturas como os anjos, mas apenas dirigindo-Se a eles como testemunhas da Sua criação, porque os anjos na verdade não possuem nenhum poder criativo, e tampouco somos feitos à imagem e semelhança dos anjos. Nós somente somos feitos à imagem e semelhança de Deus, porque somos da espécie de Deus.

Então o que o irmão Branham fez foi apenas criar uma situação onde Deus teria chamado os Seus anjos dizendo-lhes: "Vamos". Deus queria que os Seus anjos testemunhassem da Sua criação, mas não que eles criassem o homem junto com Ele. Portanto o irmão Branham não ensinou que os anjos eram co-criadores com Deus.

Uma outra declaração que o irmão Branham fez e que tem sido erroneamente usada para defender um suposto diálogo entre Deus e os anjos em Gênesis 1:26 seria este:

Cinco Identificações Definidas da Verdadeira Igreja do Deus Vivo (11/09/1960) § 177

Assim, a primeira coisa que Ele criou. Agora, alguns de vocês querem saber a respeito da minha história de Gênesis. Deus disse: "Façamos o homem." A primeira coisa que Ele criou foram os Anjos, para adorá-Lo, então Ele Se tornou Deus. Então quando Ele disse: "Façamos o homem à Nossa própria imagem," que tipo de homem Ele fez? Homem espírito. Então, quando Ele fez esse homem, Ele lhe deu o controle.

Observe que em momento algum o irmão Branham disse aqui que foi para anjos que Deus disse "Façamos". Porém, quando o irmão Branham disse que Deus criou os anjos, de que maneira Ele os fez? O irmão Branham ensinava que Deus havia criado todas as coisas por meio do Seu Filho Jesus Cristo.

Por Que Tinha Que Ser Pastores? (21/12/1964) § 11

Mui santo e gracioso Pai celestial, Deus Todo-Poderoso, Aquele que era desde o princípio, antes que houvesse uma estrela, ou um átomo, ou uma molécula... Tu fizeste todas as coisas por Jesus Cristo, Teu Filho.

Então se TODAS AS COISAS foram criadas por meio do Filho de Deus, certamente que os próprios anjos também foram criados por meio Dele. Porém esses anjos não foram feitos segundo a semelhança de Deus, mas a raça humana foi criada dessa maneira. Se Deus criou todas as coisas - inclusive os anjos - por meio de Seu Filho, por que depois Deus deixaria o Seu Filho de lado no sexto dia da criação para agora criar o homem com o auxílio de anjos?

E uma última declaração feita pelo irmão Branham que tem confundido a irmãos e ministros, ao ponto de pensarem que o profeta alterou o seu ensino sobre Gênesis 1:26 seria esta:

Perguntas e Respostas Sobre Hebreus 3 (06/10/1957) §§ 841-843

Bem, meu querido irmão santo, minha querida irmã santa, antes da fundação do mundo, quando Deus criou você à Sua imagem, ou criou o - o homem à Sua imagem, e criou a mulher à imagem do homem para a glória do homem, Ele te fez uma teofania. Exatamente como Ele mesmo, quando Ele disse "Vamos" para as criaturas que Ele havia feito, "façamos o homem à Nossa própria imagem, à Nossa semelhança, uma teofania". Deus nunca havia Se tornado carne, Ele estava em uma teofania. E Moisés O viu. Moisés clamou: "Senhor, deixa-Me ver-Te." Ele disse: "Vá lá e esconda-se na rocha, na fenda." E Moisés voltou àquela fissura; e quando Deus passou, o relâmpago e o trovão... E quando Deus passou, Ele estava de costas assim. E Moisés disse: "Eram as costas de um homem". Aleluia!

Aqui o irmão Branham está dizendo que Deus havia chamado as criaturas que Ele havia feito, que poderiam ser tanto os anjos como todo o resto da criação, para que servissem como testemunhas do que Ele e Seu Filho iriam fazer: um homem à Sua imagem, o qual seria a coroa de Sua criação. No entanto, o termo "Façamos" não pode ter sido dirigido aos anjos devido ao próprio contexto de suas palavras. Deus fez o homem segundo à Sua teofania humana, e não segundo a teofania de anjos. Moisés não viu as costas de um anjo, mas de um homem, e o ser humano foi feito à imagem do corpo teofânico de Deus.

Nesta mesma série sobre "Hebreus", o irmão Branham deixa claro que o homem foi feito à imagem teofânica do Logos, o Filho de Deus, com Quem Deus falou, e que por sua vez, era a própria imagem de Deus também.

Hebreus Capítulo Dois nº. 3 (28/08/1957) § 278

E agora o Logos que saiu de Deus, que era o - o Logos, tudo isso começa a se formar em uma - uma forma de corpo. E esta forma de corpo foi chamada, nos ensinamentos dos estudiosos, de Logos, o Logos que saiu de Deus. Em outras palavras, uma - uma palavra melhor para isso era o que chamamos de uma teofania. (Teofania é um corpo humano que é glorificado). Não exatamente com carne e sangue como ele estará em seu estado glorificado, mas é de uma forma de um corpo humano que não come, nem bebe, mas é - é um corpo, um corpo que está esperando por nós assim que deixarmos este. Agora, lá, nós entramos nesse corpo. E esse é o tipo de corpo em que Deus estava, pois Ele disse: "Façamos o homem à Nossa própria imagem e à Nossa semelhança".

Hebreus Capítulo Quatro (01/09/1957) § 230

Deus era um homem? Certamente. (Deus é um Homem; não um anjo) "Façamos o homem à Nossa própria imagem". O que era Deus? Uma teofania, um corpo. E lá o homem foi feito assim e colocado sobre o jardim.

Aqui o irmão Branham está nos dizendo que Deus formou o homem à semelhança do Logos que saiu Dele e do próprio corpo teofânico que Ele estava ocupando, e que era a mesma forma teofânica humana, ou seja, de um homem, e não de corpos teofânicos angelicais, pois como já compreendemos, era Deus e o Seu Filho que conversaram e determinaram que o homem se assemelhasse a Eles. Portanto, em nenhum momento o irmão Branham ensinou que o homem foi feito para se assemelhar aos anjos.

O irmão Branham disse que fomos eleitos em Cristo Jesus desde antes da fundação do mundo, segundo a Sua imagem. Quando o primeiro homem foi feito, ele foi trazido até o Seu Filho pelo próprio Pai, pois todos os demais filhos eleitos são Seus irmãos, e nenhum deles vai até o Filho sem que o próprio Deus os traga primeiro.

A Posição do Crente em Cristo (16/01/1956) §§ 35-37 [Sem tradução]

Ouça, você não se lembra, nem eu; mas nós éramos antes da fundação do mundo. Quando Deus fez o homem disse: "Façamos o homem à Nossa própria imagem, vamos dar-lhes (plural), vamos obter... fazer o homem à Nossa própria imagem (homem espírito) e dar-lhes domínio sobre os peixes do mar, e o gado e assim por diante". Gênesis 1, Deus dizendo isso: "Façamos o homem."... Agora, lá atrás, antes da fundação do mundo, Deus escolheu você em Cristo Jesus para aparecer santo no tempo do fim, por todo o caminho desde a fundação do mundo. Vê? Agora, rapidamente, vamos captar isso agora, no próximo versículo. "Tendo predestinado..." (ou nos elegido) para a adoção de filhos por Cristo Jesus para Si mesmo, segundo o conselho da Sua boa vontade... Posso falar com você só por um momento? Deus antes do mundo começar... Observe: "Ninguém", disse Jesus, "pode ​​vir a Mim, a menos que o Meu Pai o traga". Essa é a própria Palavra de Jesus.

O apóstolo Paulo também disse que todos os predestinados são trazidos por Deus até o Seu Filho primogênito, para serem conformes à Sua imagem, e não a imagem de anjos.

Romanos 8:29

Porque os que dantes conheceu também os predestinou para serem conformes à imagem de Seu Filho, a fim de que Ele seja o primogênito entre muitos irmãos.

Com tudo isso, desmistificamos aqui a tradição dos ministros da Mensagem que gostam de afirmar que o irmão Branham "inúmeras vezes" ensinava que Deus falou com anjos em Gênesis 1:26, quando na verdade, em nenhum momento o irmão Branham afirmou isso.

Mas sabemos que hoje a igreja católica defende a interpretação de que Deus havia falado com os anjos, e que eles também foram feitos à imagem e semelhança de Deus. No artigo intitulado "Somente o Homem Foi Criado à Imagem e Semelhança de Deus?", o padre Anderson Alves, Doutor em filosofia na Pontifícia Universidade da Santa Cruz em Roma e professor na Universidade Católica de Petrópolis, disse o seguinte:

Segundo Santo Tomás para algo possuir a "imagem" de Deus não basta ter qualquer "semelhança" com Ele, mas de algo que seja específico daquela coisa e de Deus mesmo. O que é específico de Deus e de outros seres feitos à sua imagem é a natureza intelectual. De modo que os homens e também os anjos foram criados "à imagem e semelhança de Deus". As outras criaturas são semelhantes a Deus enquanto existem; outros seres são mais semelhantes, porque além de existir vivem: esses são os animais. Finalmente, estão as criaturas que existem, vivem e também sabem ou entendem. Essas são os homens e os anjos. Somente as últimas foram feitas à imagem de Deus. Enquanto possuem uma natureza intelectual superior aos homens, os anjos são mais imagens de Deus do que os homens. Porém, segundo algumas características secundárias, o homem é mais imagem de Deus do que os anjos. De fato, o homem reflete algo que os anjos não podem: pois os homens procedem de outros homens, assim como Deus Filho procede de Deus Pai; e a alma humana está presente em todo o corpo, assim como Deus está presente em todo o mundo. (...) Portanto, não só os homens foram criados "à imagem e semelhança de Deus", mas também os anjos, criaturas intelectuais puras.

Nesse mesmo artigo, foi publicado a foto da famosa pintura intitulada "A Criação de Adão" de Michelangelo, que foi pintada por ele na Capela Sistina, a pedido do papa Júlio II. Em sua pintura, Michelangelo ilustrou o homem sendo criado por Deus, abraçado a anjos masculinos e femininos, para quem supostamente houvesse dito: "Façamos o homem à Nossa imagem". Tudo isso é utilizado hoje pelos católicos para defender o ensino de que Deus conversou com os Seus anjos em Gênesis 1:26, contrariando tudo aquilo que os pais da era da igreja de Éfeso ensinaram.

E semelhantemente aos católicos, os ministros da Mensagem defendem a mesma interpretação do padre Anderson, de que o homem foi feito à imagem e semelhança dos anjos, com os quais Deus conversou no princípio. Portanto, sem saber, estes mesmos ministros estão pregando um catolicismo gnóstico, ao pintar para a Noiva o mesmo quadro de Michelangelo em seus tabernáculos.

Um Padrão Que Se Repete

Como dissemos, o irmão Branham restaurou nesse tempo do fim a mesma doutrina ensinada pelos pais efesianos, e em momento algum pregou uma doutrina trinitária e muito menos unicista, mas os ministros da Mensagem tentam encontrar, a todo custo, elementos que indicassem uma certa inclinação sua para essa doutrina, e assim, acabam fazendo exatamente a mesma coisa que os trinitários fizeram no passado.

A doutrina da Trindade surgiu somente na metade do século III, mas os trinitários tentam encontrar elementos anteriores a esse período nos escritos dos antigos pais, no sentido de forçá-los a dizer o mesmo que eles, a fim de dar a essa doutrina herética uma aparência de originalidade. Da mesma maneira, os unicistas da Mensagem tentam forçar certas declarações do irmão Branham a apontar para um pensamento modalista, fazendo uso de supostas contradições e correções no seu ensino. Essa atitude dos ministros unicistas da Mensagem refletem o mesmo comportamento padrão dos trinitários históricos. Com essa estratégia, eles tentam pregar uma doutrina unicista alegando ser a doutrina restaurada dos apóstolos, acolhendo a espalhafatosa hipótese de que absolutamente ninguém, em tempo algum, se certificasse nesta Mensagem de que tal doutrina unicista só passaria a existir somente a partir do terceiro século da era cristã.

Mas agradecemos a Deus por ter nos trazido neste tempo do entardecer, a mesma Luz efesiana da igreja primitiva, cujas trevas da ignorância não podem competir, dando-nos o verdadeiro sentido das Palavras de Jesus: "Conhecereis a Verdade, e a Verdade vos libertará".